A tigela de madeira

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Era uma vez um velho muito velho, quase cego e surdo, com os joelhos a tremerem. Quando se sentava à mesa para comer, mal conseguia segurar a colher. Derramava a sopa na toalha e, quando, por fim, acertava na boca, deixava sempre cair um bocado pelos cantos.

Ao filho e à nora tal sujidade repugnava. Por isso, um belo dia, decidiram que o velho
passaria a sentar-se numa pequena mesa, por detrás do fogão, para poderem ignorar os seus gestos desajeitados… Levavam-lhe a comida numa tigela de barro e, o que era pior, nem lhe davam o suficiente.

O velhinho olhava para a mesa onde comiam o filho, a nora e o netito, e os seus olhos
enchiam-se de lágrimas.

Um dia, as suas mãos tremeram tanto que ele deixou cair no chão a tigela de barro que
se quebrou em mil pedaços. A nora ralhou com ele, mas ele nada disse, apenas suspirou,
envergonhado. Compraram-lhe então uma tigela de madeira.

Certo dia, quando estavam todos sentados na cozinha, o netito, que era um menino de
quatro anos, estava a brincar com uns pedaços de madeira.
— O que é que estás a fazer? — perguntou o pai.
O menino respondeu:
— Estou a fazer uma tigela de madeira para quando tu e a mãe forem velhos.

O marido e a mulher olharam-se durante algum tempo e desataram a chorar. Depois disso, trouxeram o avô de volta para a mesa. Desde então passaram a comer todos juntos e mesmo quando o velhinho derramava alguma coisa, ninguém dizia nada. Antes pelo contrário…

William J. Bennett
O Livro das Virtudes
Editora Nova Fronteira, 1995
(Adaptação)

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